sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Síndrome do Impostor

Até o Mister M tem seu lado impostor
O grande desafio de escrever um livro é achar a história certa e fazer com que ela funcione e siga da melhor maneira. Porém, às vezes o autor não se acha bom o suficiente e pensa: “A quem eu estou enganando? Minha história é uma porcaria! Eu nunca serei um escritor”. Isso é normal e, acreditem, acontece com todos nós.
Imagine que sua história está indo cada vez melhor. Você já escreveu vários capítulos, sabe exatamente para onde tudo se encaminha e está pronto para fazer o melhor livro de todos. Ou, pelo menos, era o que você pensava. Até que a Síndrome do Impostor se apossa de você e diz que você, além de não ser capaz de seguir em frente, é uma farsa. Isso pode acontecer de infinitas maneiras. Você pode ler m livro ótimo e se comparar com o autor, ou ver um filme, série com um enredo parecido com o seu. Você começa a se sentir cobrado para ser como seus ídolos, embora ninguém esteja cobrando. Ou você pode ver um furo que, no íntimo, só confirma que sua grande ideia não é tão boa assim e que, por conta disso, sua história irá naufragar. Como eu disse, há várias possibilidades.
Eu mesmo me pego passando por essa síndrome com frequência. Como leio muito e gosto de assistir a vários animes, séries, filmes e afins, sempre parece que alguém já pegou minha ideia e desenvolveu melhor do que eu. Sabe aquela coisa de que todas as histórias já foram contadas? Pois é, eu acabo achando que isso aconteceu com a minha. E o que acontece em seguida? Bate o desânimo, eu largo o projeto e digo a mim mesmo que nunca mais vou escrever uma linha na vida.
Na pior das hipóteses, eu volto a escrever um mês depois.
Drama? Não, mas eu sei que as minhas histórias precisam ganhar o papel ou a tela do PC, então eu as escrevo achando que sou merecedor delas ou não, achando que elas já foram escritas antes (e bem melhor do que posso fazer) ou não. E a razão é simples: eu sou feliz escrevendo, mesmo que às vezes eu me sinta uma farsa. Então, sim, eu preciso fazer isso.
É claro, no meio da produção, a Síndrome vai lá e morde a minha perna de novo, paralisa minhas ações e sopra no meu ouvido: você é incapaz, então não seria melhor largar isso e viver sua vida? O ciclo recomeça e, se muitas vezes sou incapaz de detê-lo, há aquelas em que eu apenas abro espaço, vou fazer algo de igual importância e, assim que termino, tento voltar ao que eu estava fazendo. Às vezes funciona. Outras vezes eu sinto vontade de jogar fora tudo o que fiz até aquele momento e recomeçar do zero. Reescrevi, acho, umas seis vezes a história em quadrinhos de um grupo de super-heróis meus. Claro, a cada vez que eu fazia uma nova versão, o trabalho melhorava, mas eu era incapaz de acreditar nisso e cheguei a manter o conceito dos personagens e mudar tudo sobre a história de origem. Ou seja, é complicado.
Apesar de tudo o que falei, acho que a síndrome pode ser só uma fase. Bem ruim, mas uma fase. Não está se sentindo capaz? Se analise, veja seus feitos, o que conseguiu e porque você está pensando que não é merecedor ou que é incapaz de alcançar patamares mais altos. Olhe para o seu livro. Gosta dele? Está tudo indo bem ou poderia ser melhor? Em que fase do projeto está? Se for rascunho, relaxe. Seu livro está horrível mesmo e só vai melhor com muito trabalho. Ninguém faz algo bom de primeira. Hã? Seu problema é achar que fulano, digamos, Stephen King ou Brandon Sanderson escrevem melhor do que você? É verdade, mas pense no tempo que demorou até eles chegarem no patamar em que estão. Ah, entendo, você acha que sua história já foi contada? Verdade, mas ela já foi contada por você? Ela já tem seu toque especial, ou foi outra pessoa, com outra vivência, que escreveu algo? Olha, pode não parecer, mas apenas sua experiência de vida pode temperar as ideias para que floresçam da forma que você as escreveria. Ninguém é capaz de fazer o seu trabalho. E, quanto a julgar se é bom ou não, refaça quantas vezes for necessário. Quem sabe na décima revisão o texto não vira algo brilhante? Um segredo: aquele você que escreveu a primeira versão não tinha as experiências que o você de agora tem. Ele não era capaz de escrever a história que você consegue.
Pensar que não é bom o suficiente é normal. Achar que nunca será bom, também. Escrever é um desafio e, claro, temos muitos tropeços no caminho. No entanto, mesmo que nos paralisemos, há momentos em que a vontade de escrever é maior que tudo. Nesse momento, devemos apenas lembrar que ninguém é perfeito e todos erram. Se o fizermos, poderemos combater essa terrível Síndrome do Impostor e seguir em frente. Vamos nessa?

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