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Mostrando postagens com o rótulo Ensaios

O que me causa mal-estar

O que me causa mal-estar Bruno Leandro Sabe o que me causa mal-estar? É algo bem simples, mas de uma profundidade terrível: o desprezo pela juventude. Me causa um mal-estar horrendo ver como os mais velhos desprezam os mais jovens apenas por serem jovens. Se é jovem, é imaturo. Se é jovem, não tem qualidade. Se é jovem, não saber o que quer da vida. “A juventude é desperdiçada pelos jovens” – repetem a citação como papagaios, sem sequer saberem sua autoria ou propósito. Não sou mais tão jovem (29 anos, quase um balzaquiano!), mas não posso deixar de me revoltar com tais afirmações. É como se um jovem não tivesse capacidade, posto que jovem. É como se um jovem não tivesse inteligência, já que jovem. É como se um jovem não tivesse potencial, ainda que jovem. Isso me irrita. As pessoas têm uma tendência enervante de olhar para seu passado e achar que tudo era melhor em suas respectivas épocas. Se isso é mesmo verdade, as ditaduras e a época da escravidão devem ter sido maravi...

Influências das Crônicas Arturianas em "O Senhor dos Anéis".

Esta é para quem viu ou leu "O Senhor dos Anéis". Le Morte D'Arthur - a mão no lago Eu nunca havia reparado nisso, mas será que alguém aí percebeu que, em muitos pontos, essa história é bastante parecida com a velha história do rei Arthur? Vou dar alguns exemplos, pois eu ainda não li muito sobre isso, mas, tendo lido algumas partes do livro Le Morte D'Arthur, percebi que os finais são razoavelmente parecidos. Exemplo? Quando o rei Arthur está para morrer, ele pede a um de seus comandados que jogue sua espada em um lago. O homem hesita por duas vezes, mas, na terceira, acaba fazendo o que seu senhor comanda. Do lago sai uma mão que pega no ar a espada e a brande três vezes, mergulhando com ela em seguida. Em "O Senhor dos Anéis", quando Frodo briga com Golum pelo Um Anel, Golum arranca o dedo de Frodo e cai em um poço de lava. O anel cai depois dele e, antes de afundar, surge apenas a mão de Golum, que o segura no ar antes de afundar. Sei que parece ...

Escrever...

A Magia da Escrita Bruno Leandro Sempre que escreve, um escritor precisa se preocupar com o que ele está escrevendo, seu público e qual é o principal objetivo do texto que está sendo produzido. Na verdade, escrever nunca é uma atividade solitária, uma vez que o autor está sempre escrevendo para alguém, mesmo que esse alguém seja ele mesmo. Um escritor é uma pessoa na multidão que está escrevendo para essa multidão. Quem são eles? Do que eles gostam? Como eles se parecem? Tudo isso deve ser levado em consideração quando se produz um texto. Com as respostas para estas perguntas o escritor será capaz de produzir uma obra-prima se este for seu objetivo. É claro que o escritor pode ignorar tudo isso e simplesmente escrever o que ele quer e lidar com as consequências. Muitas vezes tal atitude irá levá-lo ao fracasso. A verdade é que, como escritores, temos um público a agradar. Precisamos defini-lo, mas ele já existe, basta-nos descobri-lo. Por outro lado, um escritor que conhece sua audiên...

Máscaras

A sociedade é feita de máscaras. Isso é um fato, não uma suposição. "Eu" sou uma pessoa em casa, outra no trabalho, ou ainda na faculdade e mais alguém com os amigos, dependendo de quais amigos sejam. Pensando nisso, resolvi escrever este texto, que fala sobre como a sociedade nos vê e a obrigação que ela nos impõe. Aliás, como gosto de brincar com os amigos: "essa entidade chamada sociedade". Afinal, sempre que falamos da sociedade, parece que não fazemos parte dela, não é mesmo? Bom, meus prefácios são tão grandes que eu corro o risco de escrever mais do que o meu texto, que foi mais pensado e planejado do que o que estou escrevendo aqui. (Ou será que não?). Sem mais delongas, apresento: Máscaras. Bruno Leandro Existia um homem que era chamado de "Eu". "Eu" andava para todos os lugares com o rosto descoberto. As pessoas achavam "Eu" estranho, pois todos usavam máscaras e não mostravam nunca seu verdadeiro rosto, suas máscara...

Lição de Moral

Bem, não é uma lição de moral de verdade, mas eu escrevi o texto a seguir em um dos meus raros momentos de reflexão. Como este, há vários textos meus que são escritos de impulso e nunca mais são revisitados. Acho que é para preservar a pureza do momento da criação. Alguns dos meus textos ficariam até melhores se fossem reescritos. Outros não. E é por isso que eu tenho tendência a não reescrever nada. Estou mudando isso para o livro que estou escrevendo, pois um livro não tem mesmo como ser escrito de um fôlego só, a não ser que seja um livro apenas de reflexões. Mas, aqui estou refletindo acerca de minhas reflexões. Se continuar assim, vou acabar ficando mais doido do que já sou. Enfim, o texto a seguir é um pouco sobre a liberdade, mas também é um pouco mais do que isso. Também é um texto antigo, mas, se não for o último, é um dos últimos da minha antiga safra. A partir de agora, começo a publicar textos de dois anos para cá. (Sim, demorei anos para voltar a escrever textos.) Por c...