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Maniqueísmo.

O bem e o mal. O mal e o bem. E algo estranho no meio!
Este texto de hoje é curto e vai direto à ferida.
Eu gosto muito da simplicidade do que escrevi, pois o objetivo é só mostrar um pouco de pensamento livre. Sobre o que pensamos ser o mal e sobre o que achamos ser o bem. É, também, sobre como julgamos os outros com base em nossas próprias crenças. É claro que vocês podem não concordar comigo. Ou podem. Vocês são livres para decidir e a escolha é toda sua.
Para sua apreciação, senhoras e senhores:



Maniqueísmo
Bruno Leandro

Vinham juntos o bom, o mau e o feio.
O bom consolava o feio de sua feiura.
O mau acusava o feio de todos os males do mundo.
O feio era infeliz, pois dele só tinham horror ou compaixão, nunca sentindo carinho, amor ou amizade.
O bom confortava o feio. O mau debochava dele. O feio chorava por si mesmo.
O bom dizia ao feio que tudo ia melhorar, que agora havia plásticas e cirurgias, que ele não precisaria mais ser feio.
O mau ria da cara do feio, falava que sua feiura não tinha cura, que nada poderia mudá-lo.
O feio se perguntava se haveria plástica de alma, ou se nada mudaria nunca, sendo sempre o alvo da pena ou chacota de outros.
O bom acreditava que o feio, apesar de feio, tinha um bom coração.
O mau achava que o feio, por ser feio, não prestava para nada.
O feio, como era feio, sentia-se feio.
O feio se suicidou. O bom chorou por ele. O mau também chorou por ele, pois não tinha mais a quem atormentar.

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