Pular para o conteúdo principal

Dia das Bruxas, Dia do Saci... Faz alguma diferença?




Hoje as redes sociais (americanas, mas usadas por brasileiros) estão em uma guerra nacionalista. Algo simples, do tipo: Viva a cultura nacional! Halloween é coisa do demo! Morram, seus americanos idiotas! (Ainda não, mas está quase chegando a isto.) Ok, mas, fiquem tranqüilos, que é só por hoje. Afinal, no fim do dia ainda estaremos navegando na nossa Internet, alguns de nós utilizando roteadores wireless, enquanto digitam em seus notebooks ou laptops. Em alguns casos, nos tablets, é claro. Muitas pessoas irão comprar ingressos para assistir a shows dos seus ídolos e ouvirão músicas em seus MP3s, assistirão a vídeos em seus DVD Players ou irão ao cinema assistir a um pipocão. Não sabe o que é isso? Mas aposto que conhece a palavra blockbuster, ou vai dizer que não?
O ponto em questão é bem simples: se queremos cultura nacional, se o que vem de fora não presta, não deveríamos sequer ouvir músicas estrangeiras ou ver filmes americanos (ou europeus, mas, estes, pouca gente assiste, mesmo). E isso deveria ser o ano todo, não em uma data específica.
Fizeram em 2003 um projeto de lei que cria o Dia do Saci, uma data que visa resgatar a cultura nacional. Sinceramente? Achei muito legal! Afinal, a grande verdade é que nossa cultura nacional está mesmo meio largada de lado. Isso quer dizer que sou contra o Halloween? De jeito nenhum? É engraçado ver gente se fantasiando e indo a festas de fantasia, como se fosse um Carnaval fora de época. E por que não? Acho que o mais importante e se divertir.
Só pra explicar: sou contra o Dia das Bruxas? Não? Sou contra o Dia do Saci? De jeito nenhum! Mas, cá entre nós, alguém realmente acha que o Saci, o lobisomem e a Iara nasceram no Brasil? O saci é uma adaptação do Barrete Vermelho, um monstro mais cruel e bem menos simpático ou travesso que o nosso. O lobisomem, bem, deste nem preciso dizer nada. E a Iara, então? Sereias, alguém? Enfim, o que quero dizer é que nossa cultura nacional original é só a indígena, então acho que, mesmo o Dia do Saci não é tão nacionalista assim. Porém, como nos apropriamos dessa figurinha tão carismática (mas só graças ao Monteiro Lobato), acho que está valendo.
No mais, estou com preguiça de defender algo que não precisa de defesa. Afinal, como eu já disse, amanhã estaremos todos pegando gelo em nossos freezers para colocar em nossos drinks pelo Brasil afora, não é mesmo? Quer dizer, exceto eu, já que não bebo álcool.   ;)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como melhorar na escrita?

(You should work, work, work, work, work.) Escrever sobre escrever, por mais que pareça bobo, é algo que me anima. E digo isso pelo simples fato de que eu relaxo ao poder colocar minhas dúvidas e anseios fora da minha própria mente. Este espaço não se pretende nada mais do que um lugar de questionamentos e desabafos, sem respostas prontas e sem obrigatoriedade de respostas ao final da postagem. E, por conta disso, o assunto que eu quero abordar hoje é como melhorar na escrita. Escrever é algo difícil, mesmo para quem tem rompantes criativos, um português impecável e nasceu com um tablet na mão. Apesar de ser criativo e ter um nível muito bom de português, estou longe de ser perfeito e podem ter certeza de que não nasci com nenhum aplicativo de escrita a meu alcance. Sou da época (na minha época…) em que a internet estava começando. Eu posso, inclusive, dizer que cresci junto com ela, que nos desenvolvemos juntos e fomos aprendendo a lidar um com o outro. A tecnologia também evol...

O Artesão das Imagens e Palavras

Hoje resolvi ambientar minha história em um mundo de fantasia que ainda irei criar. Como assim? Bem, este texto é sobre um ser que criei há algum tempo e que dá título ao conto de hoje. Aliás, é errado dizer que escrevi um conto, o que fiz foi apresentar este personagem e pedir a ele que falasse brevemente sobre sua história. Então, em vez de "conto", vamos dizer que meu personagem escreveu uma espécie de mini-autobiografia. Um pequena observação: esta não é a primeira aparição do personagem no blog, ele pode ser visto aqui e a cidade de Leandor também já existe, mas não um mundo onde eu possa colocá-la, ainda. Quem sabe eu a coloque em algum mundo já criado? Bom, ainda vou decidir isso. Questão de tempo. Por enquanto, fiquem com a biografia de: O Artesão das Imagens e Palavras. Bruno Leandro Não me tornei o Artesão das Imagens e Palavras à toa. Eu o fiz porque tinha um sonho. E um dom. Eu o fiz porque tive quem acreditasse em meu sonho. E em meu dom. Nasc...

Catadora de Latinhas

A história de hoje é parte real, parte inventada, parte devaneio. É real, porque já cansei de ver catadores de lata, papelão, lixo, etc. por aí. Também é real porque parte dela aconteceu com um amigo, mas o catador era homem. É inventada porque eu nunca passei pela situação que escrevi, mas por coisas parecidas. É devaneio porque tais situações me fazem pensar sobre muitas coisas. Espero que gostem da história e que ela também os faça refletir. A Moça das Latinhas Bruno Leandro Ipanema, fim de tarde, já quase noite. Os belos corpos já se levantaram da areia e os poucos que ainda restam, já não tão belos, admiram o mar. Cena de cinema. Mas algo destoa de tão linda cena: uma moça, já senhora, que vejo recolher latinhas na orla. Ela está aqui, ali, lá e acolá, passa e vem de um lugar ao outro, recolhendo o alumínio que os outros descartam. Não olho muito, pois nada tenho a ver com sua vida. Logo me aborreço de ficar parado e ando, sem rumo e sem destino. De repente, uma voz me para. ...