Pular para o conteúdo principal

Quando nem tudo acaba como o esperado.

De repente a luta acaba e o herói consegue destruir o vião. Após isso, o reino é governado com justiça e todos vivem felizes para sempre, uma maravilha! Mas, e quando alguma coisa não sai como o esperado?


Anticlímax
Bruno Leandro

Acho que foi tudo, não sei, meio que anticlimático. Quer dizer, você luta contra um monte de monstros, enfrenta mil dragões, não sei quantos cavaleiros, sobrevive a vários companheiros que vão caindo nas armadilhas pelo meio do caminho (umas tão óbvias que nem minha mãe cairia) e só sobram você e menos de meia dúzia de gatos pingados para, no final, o seu inimigo mortal, o tirano que tentou destruir o mundo e escravizar todas as raças ter tido uma parada cardíaca antes mesmo de você chegar até ele? Quer dizer, se pelo menos ele aguardasse, a gente poderia até dizer que foi efeito da luta, que ele não conseguiu superar as habilidades do grupo, coisa e tal. Mas morrer assim, sem ter feito nada? Olha, sinceramente, é frustrante! E o pior: não deixou nem um substituto, um capachinho que fosse. Se tivesse a decência de ter feito isso, ainda daria para ter lutado contra “o seu melhor cavaleiro”, mas a verdade é que o cara já devia estar nas últimas, mesmo. Afinal, se não tinha ninguém mais esperando pela gente, é porque o povo todo já tinha se mandado de vez. Quer saber? Se duvidar, o cara já tinha morrido no dia anterior. Estava um cheiro meio estranho por lá, mas eu imaginei que fosse por causa de toda aquela luta. As pessoas suam, sabe como é...
Se estou desapontado? Mais do que isso, estou é decepcionado, mesmo. Como é que eu vou explicar para o pessoal lá do reino que eu lutei, lutei e morri na praia? Que eu não consegui dar um golpezinho que fosse no vilão, quanto mais o golpe final? Sabem de uma coisa? Já não se fazem mais déspotas como antigamente...
O que salva a pátria, é que eu soube que um dos meus companheiros sobreviventes ficou para trás. Parece que resolveu assumir o trono do reino, já que o tirano não tinha herdeiros. Espero que o cara tenha bastante sucesso, que saqueie algumas aldeias e destrua algumas cidades. Esqueci de dizer que é ele um necromante, então tem tudo pra dar certo na profissão de tirano. Torço muito pelo rapaz e assim, quem sabe, eu não consiga reunir outro grupo de aventureiros, dilacerar uns dragões, cortar os chifres de uns minotauros, acabar com a raça de alguns demônios e matar alguns soldados? Claro que é capaz de eles virarem zumbis, mas a leva um padre e está tudo certo. E, se tudo der certo, finalmente teremos uma batalha final decente e eu poderei acabar com ele. Tomara que tudo corra bem, estou cansado de vilões bundas-moles!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como melhorar na escrita?

(You should work, work, work, work, work.) Escrever sobre escrever, por mais que pareça bobo, é algo que me anima. E digo isso pelo simples fato de que eu relaxo ao poder colocar minhas dúvidas e anseios fora da minha própria mente. Este espaço não se pretende nada mais do que um lugar de questionamentos e desabafos, sem respostas prontas e sem obrigatoriedade de respostas ao final da postagem. E, por conta disso, o assunto que eu quero abordar hoje é como melhorar na escrita. Escrever é algo difícil, mesmo para quem tem rompantes criativos, um português impecável e nasceu com um tablet na mão. Apesar de ser criativo e ter um nível muito bom de português, estou longe de ser perfeito e podem ter certeza de que não nasci com nenhum aplicativo de escrita a meu alcance. Sou da época (na minha época…) em que a internet estava começando. Eu posso, inclusive, dizer que cresci junto com ela, que nos desenvolvemos juntos e fomos aprendendo a lidar um com o outro. A tecnologia também evol...

O Artesão das Imagens e Palavras

Hoje resolvi ambientar minha história em um mundo de fantasia que ainda irei criar. Como assim? Bem, este texto é sobre um ser que criei há algum tempo e que dá título ao conto de hoje. Aliás, é errado dizer que escrevi um conto, o que fiz foi apresentar este personagem e pedir a ele que falasse brevemente sobre sua história. Então, em vez de "conto", vamos dizer que meu personagem escreveu uma espécie de mini-autobiografia. Um pequena observação: esta não é a primeira aparição do personagem no blog, ele pode ser visto aqui e a cidade de Leandor também já existe, mas não um mundo onde eu possa colocá-la, ainda. Quem sabe eu a coloque em algum mundo já criado? Bom, ainda vou decidir isso. Questão de tempo. Por enquanto, fiquem com a biografia de: O Artesão das Imagens e Palavras. Bruno Leandro Não me tornei o Artesão das Imagens e Palavras à toa. Eu o fiz porque tinha um sonho. E um dom. Eu o fiz porque tive quem acreditasse em meu sonho. E em meu dom. Nasc...

Catadora de Latinhas

A história de hoje é parte real, parte inventada, parte devaneio. É real, porque já cansei de ver catadores de lata, papelão, lixo, etc. por aí. Também é real porque parte dela aconteceu com um amigo, mas o catador era homem. É inventada porque eu nunca passei pela situação que escrevi, mas por coisas parecidas. É devaneio porque tais situações me fazem pensar sobre muitas coisas. Espero que gostem da história e que ela também os faça refletir. A Moça das Latinhas Bruno Leandro Ipanema, fim de tarde, já quase noite. Os belos corpos já se levantaram da areia e os poucos que ainda restam, já não tão belos, admiram o mar. Cena de cinema. Mas algo destoa de tão linda cena: uma moça, já senhora, que vejo recolher latinhas na orla. Ela está aqui, ali, lá e acolá, passa e vem de um lugar ao outro, recolhendo o alumínio que os outros descartam. Não olho muito, pois nada tenho a ver com sua vida. Logo me aborreço de ficar parado e ando, sem rumo e sem destino. De repente, uma voz me para. ...