Pular para o conteúdo principal

Até onde vai a criatividade?

Seguindo os posts temáticos, nesta semana estou devaneando um pouco sobre o texto.

Este texto que escrevi é sobre um homem que cria um texto e, sem saber dá origem a uma espécie de movimento de adoração. Mas, será que é tudo de propósito? Será que ele planejou para que tudo fosse daquele jeito mesmo? Que tal descobrirmos?

 
O Texto
Bruno Leandro



               
          Um homem cria um texto. Cria-o por diversão, sem pretensões. Depois, pede a seus amigos que leiam.
            – Coisa de gênio! – falam uns.
            – Maravilhoso! – dizem outros.
            – Por que você não mostra isso a uma editora? – completam mais alguns.
            Ele assim o faz. Os editores ficam impressionados, maravilhados com o texto escrito e concordam:
            – É um texto muito bom! Precisamos publicá-lo imediatamente!
             O texto é publicado o mais rápido possível. Todos ficam apaixonados, hipnotizados. A crítica vai ao delírio. A maioria das pessoas diz que o texto mudou sua vida. As filas para o autógrafo de tão genial escritor são enormes, imensas.
            Passam-se semanas, meses, um ano até. O livro sempre com alta vendagem.
            Um dia, em uma entrevista, o apresentador fala sobre o texto publicado e compara-o aos maiores nomes da atualidade e do passado. Então vem a pergunta: como teria ele pensado em tão maravilhosas palavras, capazes de inspirar milhões? Todos aqueles simbolismos, hipertextos e mensagens motivadoras... Teria ele pensado em tudo aquilo? E aquela parte, a mais importante? Fora colocada de propósito?
            O homem, agora autor, para, pensa, reflete e se lembra: ele se lembra que escrevera um texto sem nenhuma profundidade, o qual julgava muito ruim. Lembra-se de uma expressão que achava tão idiota que não deveria nunca ter sido escrita por ninguém. Lembra, enfim, que seu texto estava horrível e que quase havia rasgado antes de mostrar a seus amigos. Então ele fala algo que se torna verdade instantânea para todos:
            – Claro, eu sempre tive a intenção de colocar aquela frase no texto.
            Todos aplaudem de pé, efusivamente. O apresentador escuta, embevecido, e agradece sua presença, sorrindo para a câmera e encerrando o programa.

Comentários

  1. Perspicaz, caro amigo.... Adorei... é mais ou menos assim... Todos os meus textos, eu considero como ruins.. Na verdade, tenho consciência de que são imaturos....Mas nada mal escrever sobre isso...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O Artesão das Imagens e Palavras

Hoje resolvi ambientar minha história em um mundo de fantasia que ainda irei criar. Como assim? Bem, este texto é sobre um ser que criei há algum tempo e que dá título ao conto de hoje. Aliás, é errado dizer que escrevi um conto, o que fiz foi apresentar este personagem e pedir a ele que falasse brevemente sobre sua história. Então, em vez de "conto", vamos dizer que meu personagem escreveu uma espécie de mini-autobiografia. Um pequena observação: esta não é a primeira aparição do personagem no blog, ele pode ser visto aqui e a cidade de Leandor também já existe, mas não um mundo onde eu possa colocá-la, ainda. Quem sabe eu a coloque em algum mundo já criado? Bom, ainda vou decidir isso. Questão de tempo. Por enquanto, fiquem com a biografia de: O Artesão das Imagens e Palavras. Bruno Leandro Não me tornei o Artesão das Imagens e Palavras à toa. Eu o fiz porque tinha um sonho. E um dom. Eu o fiz porque tive quem acreditasse em meu sonho. E em meu dom. Nasc...

O Assassinato do Português

Juro que não sou purista, mas tem horas em que dá vontade de ser...  O Assassinato do Português. Bruno Leandro Não, esta não é mais uma piada de português. Aliás, nem uma notícia jornalística nem nada do tipo. Este é mais um dos meus textos-comentários sobre coisas que me deixam pasmo. Ultimamente eu tenho percebido nas redes sociais uma crescente utilização de erros absurdos de português na rede. Aliás, antes de entrar nesse assunto, quero dizer que não sou purista da língua, não acho que o único português que vale a pena é o da “norma culta” (chamada de padrão, pelos linguistas) e não sou do tipo que enfia o dedo na cara dos outros apontando os erros que eles comentem. Errar é humano e eu erro muito, assim como qualquer pessoa que escreva em um computador com correção ortográfica. No entanto, eu me policio, evitando meus erros e tentando melhorar. E não tem sido isso que tenho visto na internet nos últimos tempos. Erros são muito comuns, até demais. Na inter...

Este texto não foi escrito por IA

Meus dois dedos de prosa sobre o pesadelo do fim do mundo dos últimos tempos De uns tempos para cá, a IA tomou conta de tudo. É possível vermos desenhos, vídeos, “fotografias” e, até mesmo, textos e músicas feitos com tais “recursos”. As aspas se aplicam, pois estão deixando de ser recursos e substituindo, ainda que mal e porcamente, o trabalho humano. Sei que a IA soa como inimiga natural nos últimos tempos, bem mais do que uma simples Skynet do pavoroso futuro do tal Exterminador, mas ela não deveria ser vista dessa forma. O problema é que o dinheiro a tudo corrompe. E, com isso, vemos trabalhos artísticos de pessoas vivas sendo utilizados, sem permissão, para compor a criação dos mais diversos tipos de obras de arte que, mesmo desprovidas de alma, ainda se passam por algo realizável. Não nos enganemos, a IA aprende e, com o tempo, ficará mais e mais difícil distinguirmos o que foi criado por ela. E isso é muito ruim. Não sou contra saltos tecnológicos, nem vilanizo a intelig...