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Mostrando postagens de agosto, 2013

Poesia de Quinta

Contradições Bruno Leandro Eu pareço jovem Falo como velho Sou bonito Sou feio E acho que sou normal Minha cabeça vai bem, obrigado Exceto... exceto quando ela não vai Mas não tem importância Só importa aquilo que é importante de verdade Sou o que me fizeram Sou eu mesmo, independente dos outros Eu sou o centro do mundo O mundo não gira à minha volta Não sou ninguém Sou eu, ele, ela, você, todos nós Quem sou eu, afinal? Ou quem não sou eu, melhor dizendo? Ai, é tão difícil pensar às vezes! Quem manda ser inteligente? Melhor que não fosse! Aliás, porque eu sou tão burro às vezes? Não que eu prefira ser uma metamorfose ambulante Mas fico melhor como contradição. Obedecendo ao título do poema acima, a poesia de quinta de hoje veio em uma sexta. E qual o porquê disso? Como vocês devem ter notado, a semana foi dedicada a um conto que dividi em quatro partes. Se mantivesse a data desta postagem, o conto ficaria estraçalhado. Não, não...

Além do Espelho - quarta parte (final)

Além do Espelho Bruno Leandro Parte 4 e final Corri como um desesperado, mas, quando me faltavam apenas vinte metros, ela chegou a seu destino. A bruxa conseguiu chegar até o portal e, sem ter o que a impedisse, preparou-se para voltar ao mundo real. Eu estava perdido. Ainda assim, corri, apenas para vê-la colocar um pé para fora daquele mundo. Ou assim Ana e eu pensávamos, não fosse por Dumas. Meu fiel Dumas surgiu das sombras, segurando Ana e a puxando para dentro daquele mundo novamente. Ele havia nos seguido pelo portal e, por alguma estranha mágica daquele lugar, havia ficado sólido. Ele conseguiu conter a bruxa pelos segundos que eu precisava para chegar perto dela. De costas para mim, ela se debateu e, sem saber que eu me aproximava, disparou uma magia contra Dumas. Cheguei no momento exato em que isso aconteceu e, graças a meus amuletos, a onda de choque se voltou contra ela. Derrubada por sua própria magia, a bruxa não era mais um perigo imediato. Vasculhei...

Além do Espelho - terceira parte.

Além do Espelho Bruno Leandro Parte 3 Como fui estúpido! Se eu tivesse guardado o diário comigo, ela não teria a menor chance. Infelizmente, carregar tal fardo a todo lugar não é uma ideia muito boa e fui obrigado a deixá-lo para trás durante o jantar. Eu pretendia voltar logo em seguida, mas a distração dela se mostrou eficaz e acabei deixando os segredos de minha família desprotegidos. Só me restava persegui-la e tentar pará-la ainda dentro de minha propriedade, onde os danos poderiam ser controlados e onde ela não conseguiria quebrar os selos de proteção. Eu não sabia quantos minutos ela teria de vantagem, mas cria não serem mais do que doze, o tempo que levei para correr até o andar superior e, após ajudar meus pais, para voltar a meus aposentos agora não tão secretos. Furioso, catei alguns outros amuletos de minha escrivaninha e parti atrás da bruxa. Minha propriedade é um labirinto mágico e estranhos não podem sair dela sem auxílio. Exceto por um lugar: o ja...

Além do Espelho - segunda parte.

Além do Espelho Bruno Leandro Parte 2 Deixando Ana de lado, corri escadas acima, para encontrar meu irmão tentando reanimar nossos pais. Ambos estavam com palidez cadavérica e, frios, parecia que a vida os havia abandonado. Em seu nervosismo o garoto não conseguia despertá-los e, com medo, chorava sobre seus corpos. As meninas chegaram logo em seguida e, somando seu pânico ao dele, transformaram aquela situação em um caos completo. Tive que gritar com eles para que não me atrapalhassem e, após expulsá-los do quarto, senti os pulsos de meus pais. Estavam fracos, mas ainda existiam. Murmurei rapidamente as palavras de uma magia de recuperação, primeiro sobre meu pai, que estava mais fraco, depois sobre minha mãe, cujo peito subia com menos dificuldade. Consegui fazer com que ambos se reanimassem e, assim que os vi bem, permiti ao resto da família adentrar o quarto para abraçá-los e perguntar como se sentiam. Foi neste momento que percebi três coisas: primeiro, o quarto de ...

Além do Espelho - primeira parte.

A história de hoje, na verdade desta semana, ficou muito grande. Então, resolvi seriá-la. Vou dividir em quatro postagens, uma a cada dia, não tanto para criar suspense, mas mais porque eu sei que as pessoas não gostam de ler coisas muito longas. E, acreditem, esta ficou um pouquinho longa para ser postada em um dia. Além do Espelho Bruno Leandro Parte 1 Começou há poucos dias e eu ainda não entendi o que está acontecendo. Desde que Ana chegou à minha casa, sinto uma aura diferente no ar. Acho que ela trouxe os espíritos de seus ancestrais consigo. Porém, se de fato é isso, como não consigo notá-los? Eu, o maior vidente de todo o mundo, sem conseguir perceber a presença de algum espírito? Isso está errado, muito errado. Sei que Ana é uma bruxa poderosa, mas nem ela deveria conseguir escondê-los de mim. Preciso descobrir seus planos, antes que ela destrua a todos que vivem nesta casa. Se pelo menos eu pudesse avisá-los! Frustrado, fechei meu diário, selando-o co...

Antes do pau-de-arara

Antes do pau-de-arara. Bruno Leandro Mãe, Se você está lendo isso é porque não estou mais aqui. Por favor, não pense que me suicidei ou fugi de casa. Eu apenas resolvi viajar com os boias-frias por três meses. Três meses não é um tempo tão longo, embora, para essa gente sofrida, seja um tempo que demore bastante. Também não ache que isso foi um capricho, pois pessoas ricas têm direito a abandonar “tudo” para “recomeçar do zero”. A verdade é que você sabe que nem eu nem você ou o pai temos dinheiro. Porém, também não é por isso que estou viajando com eles. Você deve estar se perguntando: por que não o circo? Fugir com o circo é bem glamoroso, cria uma fantasia na cabeça das pessoas de que estamos entrando em um mundo mágico, que vamos ver onde todas as maravilhas acontecem, mesmo não sendo bem assim, mesmo que a vida de circo seja apenas muito trabalho e pouca diversão de verdade. Viajar de pau-de-arara, não. Tem risco de vida, as condições não são boas, é sacr...

Mary e Max

Escrevi todo o abaixo de chofre, ainda sob o calor da emoção, e não me preocupei com detalhes "básicos" como quem produziu, o ano e etc. Não é exatamente uma resenha, é uma descrição do que eu senti assim que acabei de assistir essa excelente animação:  Não sei se fico feliz ou arrasado de ter visto esse filme. Comecei a assistir, meio que sei querer, apenas para passar o tempo. Aos poucos, fui sendo envolvido pela história e não consegui parar de ver. Quis acompanhar cada momento da troca de cartas, da evolução e involução dos personagens, o que os tornou cada vez mais reais, mostrando que vidas não são feitas apenas de altos e baixos, mas de algo diferente, um momento no meio, onde é tudo confusão, e bem e mal não são a palavra de ordem. Este filme me provou que as pessoas são fortes, frágeis, têm a capacidade de fazer o que quiserem ou de sucumbirem ante si mesmas. E que, além disso, todos somos falhos, mas todos podemos acertar. Com uma amizade não mais forte ...