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Mostrando postagens de 2013

O menino feio

Pedrinho Feio  Bruno Leandro  Pedro era um garoto introvertido, não muito desenvolvido para a sua idade e sem habilidades atléticas. Preferia as matérias de raciocínio e lógica aos exercícios de educação física e não se enturmava com facilidade. Para uns outros, Pedro era um esquisito, um estranho. E feio. Não demorou muito para que  garoto ganhasse um apelido maldoso na escola, chamado pelos colegas de “Pedrinho Feio”. Era humilhado todos os dias com esse apelido e, se fizesse algo errado, já diziam: “Tinha que ser o Pedrinho Feio”. Se fizesse algo certo, ninguém prestava atenção ou, por despeito, diziam que fora resultado de sorte. Pedro vivia em um mundo onde os colegas de escola não eram estranhos, pois se vestiam iguais, todos com as mesmas roupas da moda, quando fora do colégio, e todas as meninas eram loiras ou morenas com o cabelo alisado e pesada maquiagem que as tornava perfeitas. Ele não era popular, pois a popularidade dependia de uma visão ...

Lembranças Vindouras

Lembranças Vindouras Bruno Leandro Ah! Com que saudade e nostalgia me lembro dos tempos que ainda virão! Com que felicidade recordo as alegrias vindouras e me faz cair uma pequena lágrima dos olhos por ainda não tê-las. Ah! Com que tristeza me lembro do futuro vão, da forma esquecida e de tudo o que deixarei de lado! Com que medo penso nas atitudes más que ainda terei. Ah! Com que curiosidade vislumbro as possibilidades do porvir e as novidades do advir! Com que interesse vasculho as memórias dos tempos adiante, apenas para rever aquilo que verei. Ah! Está ali, a poucos passos, mas a cada segundo me escapa entre os dedos, já que o futuro está sempre adiante, longe. De meu toque, distante.

O Temível Exército Vermelho

O Temível Exército Vermelho Bruno Leandro O gigantesco exército vermelho se aproximava rapidamente. Os companheiros suavam frio e temiam por suas vidas, pois não tinham como se defender e a morte estava cada vez mais próxima. Quando estavam a pouco mais de duzentos metros de distância, os cavalos pararam e um homem, que parecia ser o líder surgiu à frente, gritando para os que estavam no forte: – Rendam-se, Alabartes! Ousem resistir a nós e destruiremos até a última pedra de sua fundação! Os companheiros se entreolharam. Havia algo errado! Timenes, o menos covarde, colocou a cabeça para fora da amurada e gritou em resposta: – Alabartes? Mas não tem nenhum Alabartes aqui! – Como não? – reclamou o homem – Aqui não é o castelo de Tarrin? – Não! Desconcertado, o homem olhou para seus companheiros, pedindo um mapa. – Minha nossa, é verdade! Desculpa, aí, gente! Nós fizemos uma curva errada no Rio Trieste e viemos parar aqui por engano, foi ma...

Além do Espelho (re-postagem)

Então, galera, como tem gente que tem coragem de ler um texto grande ( o/ ) de uma vez só, resolvi colocar o texto publicado durante a semana passada todo hoje. Acho que fica melhor para ler (minha opinião pessoal). Espero que aprovem a iniciativa. PS: Estou aproveitando este momento de relativa calmaria para atualizar o blog com mais frequência. Só não digo que voltei de vez porque, infelizmente, ainda tenho um semestre conturbado da faculdade para cursar. É o último (torçam  por mim) do meu bacharelado. Quanto à licenciatura, estudo na UERJ e eles gostam de dificultar a vida dos estudantes (a universidade como instituição, não os professores em sua maioria) e eu estudo na faculdade e em um curso (aliás, também é o último período do curso), trabalho, faço academia e dieta (estou acima do peso, sim, me condenem, rs). Como podem ver, assim como todo brasileiro, a minha nada mole vida não é *fàssio* fácil. Espero que me perdoem com todo o amor que guardam no fundo de seus cor...

Poesia de Quinta

Contradições Bruno Leandro Eu pareço jovem Falo como velho Sou bonito Sou feio E acho que sou normal Minha cabeça vai bem, obrigado Exceto... exceto quando ela não vai Mas não tem importância Só importa aquilo que é importante de verdade Sou o que me fizeram Sou eu mesmo, independente dos outros Eu sou o centro do mundo O mundo não gira à minha volta Não sou ninguém Sou eu, ele, ela, você, todos nós Quem sou eu, afinal? Ou quem não sou eu, melhor dizendo? Ai, é tão difícil pensar às vezes! Quem manda ser inteligente? Melhor que não fosse! Aliás, porque eu sou tão burro às vezes? Não que eu prefira ser uma metamorfose ambulante Mas fico melhor como contradição. Obedecendo ao título do poema acima, a poesia de quinta de hoje veio em uma sexta. E qual o porquê disso? Como vocês devem ter notado, a semana foi dedicada a um conto que dividi em quatro partes. Se mantivesse a data desta postagem, o conto ficaria estraçalhado. Não, não...

Além do Espelho - quarta parte (final)

Além do Espelho Bruno Leandro Parte 4 e final Corri como um desesperado, mas, quando me faltavam apenas vinte metros, ela chegou a seu destino. A bruxa conseguiu chegar até o portal e, sem ter o que a impedisse, preparou-se para voltar ao mundo real. Eu estava perdido. Ainda assim, corri, apenas para vê-la colocar um pé para fora daquele mundo. Ou assim Ana e eu pensávamos, não fosse por Dumas. Meu fiel Dumas surgiu das sombras, segurando Ana e a puxando para dentro daquele mundo novamente. Ele havia nos seguido pelo portal e, por alguma estranha mágica daquele lugar, havia ficado sólido. Ele conseguiu conter a bruxa pelos segundos que eu precisava para chegar perto dela. De costas para mim, ela se debateu e, sem saber que eu me aproximava, disparou uma magia contra Dumas. Cheguei no momento exato em que isso aconteceu e, graças a meus amuletos, a onda de choque se voltou contra ela. Derrubada por sua própria magia, a bruxa não era mais um perigo imediato. Vasculhei...

Além do Espelho - terceira parte.

Além do Espelho Bruno Leandro Parte 3 Como fui estúpido! Se eu tivesse guardado o diário comigo, ela não teria a menor chance. Infelizmente, carregar tal fardo a todo lugar não é uma ideia muito boa e fui obrigado a deixá-lo para trás durante o jantar. Eu pretendia voltar logo em seguida, mas a distração dela se mostrou eficaz e acabei deixando os segredos de minha família desprotegidos. Só me restava persegui-la e tentar pará-la ainda dentro de minha propriedade, onde os danos poderiam ser controlados e onde ela não conseguiria quebrar os selos de proteção. Eu não sabia quantos minutos ela teria de vantagem, mas cria não serem mais do que doze, o tempo que levei para correr até o andar superior e, após ajudar meus pais, para voltar a meus aposentos agora não tão secretos. Furioso, catei alguns outros amuletos de minha escrivaninha e parti atrás da bruxa. Minha propriedade é um labirinto mágico e estranhos não podem sair dela sem auxílio. Exceto por um lugar: o ja...

Além do Espelho - segunda parte.

Além do Espelho Bruno Leandro Parte 2 Deixando Ana de lado, corri escadas acima, para encontrar meu irmão tentando reanimar nossos pais. Ambos estavam com palidez cadavérica e, frios, parecia que a vida os havia abandonado. Em seu nervosismo o garoto não conseguia despertá-los e, com medo, chorava sobre seus corpos. As meninas chegaram logo em seguida e, somando seu pânico ao dele, transformaram aquela situação em um caos completo. Tive que gritar com eles para que não me atrapalhassem e, após expulsá-los do quarto, senti os pulsos de meus pais. Estavam fracos, mas ainda existiam. Murmurei rapidamente as palavras de uma magia de recuperação, primeiro sobre meu pai, que estava mais fraco, depois sobre minha mãe, cujo peito subia com menos dificuldade. Consegui fazer com que ambos se reanimassem e, assim que os vi bem, permiti ao resto da família adentrar o quarto para abraçá-los e perguntar como se sentiam. Foi neste momento que percebi três coisas: primeiro, o quarto de ...

Além do Espelho - primeira parte.

A história de hoje, na verdade desta semana, ficou muito grande. Então, resolvi seriá-la. Vou dividir em quatro postagens, uma a cada dia, não tanto para criar suspense, mas mais porque eu sei que as pessoas não gostam de ler coisas muito longas. E, acreditem, esta ficou um pouquinho longa para ser postada em um dia. Além do Espelho Bruno Leandro Parte 1 Começou há poucos dias e eu ainda não entendi o que está acontecendo. Desde que Ana chegou à minha casa, sinto uma aura diferente no ar. Acho que ela trouxe os espíritos de seus ancestrais consigo. Porém, se de fato é isso, como não consigo notá-los? Eu, o maior vidente de todo o mundo, sem conseguir perceber a presença de algum espírito? Isso está errado, muito errado. Sei que Ana é uma bruxa poderosa, mas nem ela deveria conseguir escondê-los de mim. Preciso descobrir seus planos, antes que ela destrua a todos que vivem nesta casa. Se pelo menos eu pudesse avisá-los! Frustrado, fechei meu diário, selando-o co...

Antes do pau-de-arara

Antes do pau-de-arara. Bruno Leandro Mãe, Se você está lendo isso é porque não estou mais aqui. Por favor, não pense que me suicidei ou fugi de casa. Eu apenas resolvi viajar com os boias-frias por três meses. Três meses não é um tempo tão longo, embora, para essa gente sofrida, seja um tempo que demore bastante. Também não ache que isso foi um capricho, pois pessoas ricas têm direito a abandonar “tudo” para “recomeçar do zero”. A verdade é que você sabe que nem eu nem você ou o pai temos dinheiro. Porém, também não é por isso que estou viajando com eles. Você deve estar se perguntando: por que não o circo? Fugir com o circo é bem glamoroso, cria uma fantasia na cabeça das pessoas de que estamos entrando em um mundo mágico, que vamos ver onde todas as maravilhas acontecem, mesmo não sendo bem assim, mesmo que a vida de circo seja apenas muito trabalho e pouca diversão de verdade. Viajar de pau-de-arara, não. Tem risco de vida, as condições não são boas, é sacr...

Mary e Max

Escrevi todo o abaixo de chofre, ainda sob o calor da emoção, e não me preocupei com detalhes "básicos" como quem produziu, o ano e etc. Não é exatamente uma resenha, é uma descrição do que eu senti assim que acabei de assistir essa excelente animação:  Não sei se fico feliz ou arrasado de ter visto esse filme. Comecei a assistir, meio que sei querer, apenas para passar o tempo. Aos poucos, fui sendo envolvido pela história e não consegui parar de ver. Quis acompanhar cada momento da troca de cartas, da evolução e involução dos personagens, o que os tornou cada vez mais reais, mostrando que vidas não são feitas apenas de altos e baixos, mas de algo diferente, um momento no meio, onde é tudo confusão, e bem e mal não são a palavra de ordem. Este filme me provou que as pessoas são fortes, frágeis, têm a capacidade de fazer o que quiserem ou de sucumbirem ante si mesmas. E que, além disso, todos somos falhos, mas todos podemos acertar. Com uma amizade não mais forte ...

Maldito Poço dos Desejos!

Um poço de desejos desse eu não quero nem de graça. Poço dos Desejos do Inferno Bruno Leandro – Maldito poço dos desejos! – Do que você está falando? – Lembra quando meu pai morreu, dois meses atrás? – Claro. Você ficou arrasado. – Então, eu fui a um poço dos desejos e pedi para que ele voltasse à vida. – E o que aconteceu? – Ele voltou, é claro! Como você acha que essa praga zumbi começou?

Ah, o amor...

Muitas vezes, o amor nos chega de maneiras inesperadas e nos momentos mais inapropriados. As consequências? Imprevisíveis! Amor em tempos de guerra Bruno Leandro Eu lutava contra os insurgentes de Thayfatuos. Minha espada penetrava os corações dos rebeldes e cortava suas gargantas com a facilidade de minha raça. A carnificina era minha irmã e a chacina a mãe que me guiava. Tudo era apenas gritos e vermelho. Foi então que a vi. Ela estava linda, seu rosto manchado de rubro das mortes causadas por sua lâmina. Os cabelos, encharcados de sangue, grudavam-se à pele. Uma furiosa guerreira, ela decepava membros e cabeças de seus inimigos como se nada fossem. Sua ferocidade era inigualável. Me apaixonei de imediato, mesmo ela estando no lado oposto do conflito. De alguma forma, ela percebeu que eu a observava e seus olhos cravaram-se nos meus como adagas. O rosnar que saiu de sua boca parecia um coro de anjos – da morte, claro. Os dentes à mostra, brancos, p...

A burocracia é burra? E quanto às pessoas?

Burrocracia Bruno Leandro “O trabalho deverá seguir as normas da ABNT 20XX.” 20XX? Mas por que 20XX? – pensei, olhando para aquele pedaço de papel que dizia o formato em que eu deveria entregar meu trabalho de fim de curso. Curioso, abri o site da ABNT e olhei as normas deste ano, 20XX. Conferi. Tudo certo, sem problemas. Olhei as normas do ano anterior. Eram diferentes. Pensei: “Devem ter sido atualizadas porque as antigas não serviam mais”. Achei estranho, pois me pareciam boas, mas, como não entendo de normas, deixei pra lá. Fiz meu trabalho e o entreguei. Nota: 9,9. (Professores e sua necessidade de não reconhecer o esforço dos alunos... ¬¬’) Chegando em casa, abri meu computador e a minha pesquisa ainda estava no Google, sobre as normas da ABNT. Prestando mais atenção, percebi algo esquisito e fui olhar mais uma vez as tais normas: ·          Normas ABNT 20XX – 1 ·        ...

Haiku Invertido

Vocês conhecem o Haikai? É uma forma poética japonesa composta de apenas 3 linhas, sem rimas e possui uma forte imagem. O Haikai, ou Haiku, costuma ser escrito no esquema de 5 - 7 - 5 sílabas, mas existem alguns escritos ao contrário, ou seja, com o esquema de 7 - 5 - 7. Pois bem, foi esse que escolhi tentar fazer aqui hoje. Vamos ver se ficou bom: Uma pequena deusa Tecendo a morte Infinitas dimensões