Pular para o conteúdo principal

A tela em branco ou o temível bloqueio de escritor

Eu não sou uma pessoa dada a muitos bloqueios, pelo menos não no sentido tradicional. Não é comum eu ficar sem ideias diante de uma tela ou papel em branco. Na verdade, mesmo que a ideia não esteja boa, ela está lá e eu a escrevo aos borbotões. Na verdade, senhoras e senhores, meu problema é outro: excesso de ideias.
Eu não acredito que seja o único a ter excesso de ideias por aqui. Será que nunca aconteceu a vocês ficar paralisado, sem saber qual direção seguir, justamente porque tinha umas mil ideias diferentes borbulhando na cabeça? Isso acontece comigo o tempo todo, até criei um nome para essa situação: febre criativa.
Eu considero que estou com febre criativa quando tenho várias ideias tentando se apossar da minha cabeça ao mesmo tempo. Mas e se a heroína fizesse isso? E se, além de ir a tal lugar, meus heróis fosse a outro? E se o vilão na verdade aparecesse um pouquinho antes, para apimentar as coisas? E se meu volume fosse dividido em três partes, para explicar melhor algumas partes da história? Sim, essa é minha vida. E eu não sei bem o que fazer com ela. É mesmo muito raro eu ficar sem ideias, talvez não me venham as mais adequadas à situação, talvez elas surjam para outro livro, no lugar daquele que estou escrevendo, mas elas não deixam de vir. E o que eu faço? Eu travo. Ou eu escrevo. Muito.
O problema é que, quando escrevo, eu não me fixo naquela tela em branco à minha frente, eu vou abrindo arquivos do Word, ou até mesmo do bloco de notas, e escrevo neles as ideias laterais que se apossam de minha cabeça. Eu até mesmo pego papel e caneta, ou lápis, quando a situação pede, já que às vezes os programas de escrita demoram muito a abrir, eu estou na rua, no trabalho, ou em qualquer outra situação que uma telinha não poderia ser sacada. Papel e caneta são sempre seguros, basta tê-los à mão.
Enfim, com toda essa questão, meu bloqueio vem de não concatenar as ideias, de não conseguir o foco necessário para o que está à frente. Aposto que meu livro já deve ter mais páginas escritas sobre ele do que jamais terá na versão final. Se duvidar, este rompante de escrever aqui hoje acabou sendo resultado de uma fuga de responsabilidade aliada à necessidade de escrever sobre um tipo diferente de bloqueio de escritor.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Artesão das Imagens e Palavras

Hoje resolvi ambientar minha história em um mundo de fantasia que ainda irei criar. Como assim? Bem, este texto é sobre um ser que criei há algum tempo e que dá título ao conto de hoje. Aliás, é errado dizer que escrevi um conto, o que fiz foi apresentar este personagem e pedir a ele que falasse brevemente sobre sua história. Então, em vez de "conto", vamos dizer que meu personagem escreveu uma espécie de mini-autobiografia. Um pequena observação: esta não é a primeira aparição do personagem no blog, ele pode ser visto aqui e a cidade de Leandor também já existe, mas não um mundo onde eu possa colocá-la, ainda. Quem sabe eu a coloque em algum mundo já criado? Bom, ainda vou decidir isso. Questão de tempo. Por enquanto, fiquem com a biografia de: O Artesão das Imagens e Palavras. Bruno Leandro Não me tornei o Artesão das Imagens e Palavras à toa. Eu o fiz porque tinha um sonho. E um dom. Eu o fiz porque tive quem acreditasse em meu sonho. E em meu dom. Nasc...

Catadora de Latinhas

A história de hoje é parte real, parte inventada, parte devaneio. É real, porque já cansei de ver catadores de lata, papelão, lixo, etc. por aí. Também é real porque parte dela aconteceu com um amigo, mas o catador era homem. É inventada porque eu nunca passei pela situação que escrevi, mas por coisas parecidas. É devaneio porque tais situações me fazem pensar sobre muitas coisas. Espero que gostem da história e que ela também os faça refletir. A Moça das Latinhas Bruno Leandro Ipanema, fim de tarde, já quase noite. Os belos corpos já se levantaram da areia e os poucos que ainda restam, já não tão belos, admiram o mar. Cena de cinema. Mas algo destoa de tão linda cena: uma moça, já senhora, que vejo recolher latinhas na orla. Ela está aqui, ali, lá e acolá, passa e vem de um lugar ao outro, recolhendo o alumínio que os outros descartam. Não olho muito, pois nada tenho a ver com sua vida. Logo me aborreço de ficar parado e ando, sem rumo e sem destino. De repente, uma voz me para. ...

O Assassinato do Português

Juro que não sou purista, mas tem horas em que dá vontade de ser...  O Assassinato do Português. Bruno Leandro Não, esta não é mais uma piada de português. Aliás, nem uma notícia jornalística nem nada do tipo. Este é mais um dos meus textos-comentários sobre coisas que me deixam pasmo. Ultimamente eu tenho percebido nas redes sociais uma crescente utilização de erros absurdos de português na rede. Aliás, antes de entrar nesse assunto, quero dizer que não sou purista da língua, não acho que o único português que vale a pena é o da “norma culta” (chamada de padrão, pelos linguistas) e não sou do tipo que enfia o dedo na cara dos outros apontando os erros que eles comentem. Errar é humano e eu erro muito, assim como qualquer pessoa que escreva em um computador com correção ortográfica. No entanto, eu me policio, evitando meus erros e tentando melhorar. E não tem sido isso que tenho visto na internet nos últimos tempos. Erros são muito comuns, até demais. Na inter...